Arquitetura na Educação Infantil influencia o aprendizado


Pesquisas feitas nos Estados Unidos nos anos 1970 já indicavam que a forma como as salas de Educação Infantil são projetadas e organizadas influencia as brincadeiras das crianças. Estudos apontam que professores podem dispor da organização espacial para desenvolver atividades, estimular o aprendizado e dar suporte emocional para alunos da EI.

 

Na década de 1960, os pesquisadores americanos Sybil Kritchevsky e Elizabeth Prescott publicaram o trabalho “Planning Environments for Young Children”, com uma ideia inovadora: observar como as crianças interagem com o ambiente e como diferentes organizações do espaço influenciam as brincadeiras. A partir da observação do comportamento de professores e crianças em escolas de Educação Infantil nos Estados Unidos na década de 1970, Elizabeth Prescott e Sybil Kritchevsky concluem que em espaços de brincadeira que oferecem múltiplas oportunidades de interação, complexidade e variedade, as crianças ganham maior autonomia, apresentam menos problemas de disciplina e os professores intervêm mais raramente no processo.

Ou seja, quando o espaço é bem organizado e oferece atividades interessantes, as crianças se movimentam mais livremente, sem precisar que um adulto guie suas atividades o tempo todo. Assim, os professores ficam livres para observar a dinâmica da turma, identificar crianças com dificuldades etc. Em um espaço mal organizado, o professor se torna o centro de todas as atenções; essa situação impede que ele ou ela dê a devida atenção individual para cada criança, observando detidamente o desenvolvimento de cada um. Além disso, em espaços mal organizados, as crianças não são estimuladas a desenvolver autonomia, e o processo se torna extremamente exaustivo para o professor ou professora, que fica responsável por organizar a “bagunça”.

 

Espaços lúdicos: complexidade e variedade

Em artigo publicado no periódico Early Childhood News, a PhD em desenvolvimento infantil  Judith Cobert mostra que Prescott e Kritchevsky trabalham com a ideia de “unidades de brincadeira” (play units) para estudar a organização do espaço na Educação Infantil. Eles dividem as unidades de brincadeira em 3 tipos:

1) unidades simples: espaços com uma única e óbvia proposta, sem subpartes ou materiais justapostos;

2) unidades complexas, com diferentes materiais justapostos, que convidam a criança a manipulá-los e a improvisar;

3) unidades supercomplexas, similares às unidades complexas, mas com mais materiais, por exemplo, mesas com diversas ferramentas adaptadas.

Dessa forma, sugere-se que modificar e adaptar o espaço das salas de Educação Infantil, com o objetivo de proporcionar oportunidades de aprendizado e vivências significativas para as crianças, ajuda o profissional da educação a atingir seus objetivos.

Diversas pesquisas posteriores à de Prescott e Kritchevsky confirmam que o ambiente físico em que as crianças crescem tem uma influência importantíssima em seu desenvolvimento cognitivo, social e emocional. Ou seja, investir em arquitetura e vivência estética significativas não é algo secundário e superficial para o qual devam ser destinadas mais que sobras orçamentárias; hoje já há opiniões e consensos amplos sobre como a orientação espacial das crianças no ambiente modifica sua percepção da passagem do tempo.


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