Professor: progressão na carreira e sucesso em diferentes perspectivas


Pesquisa recente divulgada na mídia afirma que metade dos professores brasileiros não recomenda sua própria profissão aos jovens, pois se sentem desvalorizados. Mas em que, exatamente, implica valorizar o professor da Educação Básica? Basta aumentar salários para o jogo virar no Brasil? Pesquisamos planos de carreira docente em países onde a educação é bem-sucedida para tentar responder essas e outras questões.

 

Em termos gerais, falta um plano consistente de progressão de carreira para professores de escolas públicas da educação básica no Brasil: o profissional bem sucedido é logo “sugado” para áreas administrativas, consultoria ou ensino universitário. Outra opção, claro, é tornar-se professor ou professora em uma escola de elite. Mas escolas de elite, sozinhas, não têm poder para virar o jogo no Brasil. Pesquisadores de instituições de peso reconhecem que o avanço social vem mesmo quando a maioria da população domina a alfabetização científica, ou seja, compreendem o funcionamento do corpo humano e o mundo (natural e social) onde vivemos.

Uma pesquisa recentemente divulgada na mídia e financiada pelo instituto Todos Pela Educação afirma que 33% dos professores brasileiros da educação básica estão insatisfeitos com sua profissão. Eles reclamam que falta valorização por parte do poder público, na forma de salários e progressão de carreira. No Brasil, para a maior parte dos professores do Ensino Fundamental e Médio, além da Educação Infantil, o plano de carreira é vinculado ao estado ou município a que está ligado. Não vamos analisar os planos municipais e estaduais um a um, ao invés disso, olhamos para os planos de carreira em alguns dos países que vem se mostrado mais bem-sucedidos na área educacional, tanto em relação a notas em avaliações quanto em desenvolvimento de tecnologia, pesquisa e bem estar social. Confira:

 

Canadá

O Canadá é um bom exemplo para o Brasil por algumas razões, entre elas porque é um país grande, diverso demograficamente e cuja política educacional confere autonomia aos entes administrativos. Além disso, seu sucesso educacional não é medido apenas pelas boas notas em avaliações internacionais, mas por universidades bem classificadas, investimento em tecnologia e boa distribuição de renda.  A província de Ontario tem como política pública recrutar para a docência somente entre os 30% melhores alunos das universidades. Os programas de formação de professores são altamente regulados, para evitar excesso de oferta de profissionais e para controlar o que é ensinado nos cursos. Programas de progressão na carreira garantem que bons professores possam aspirar à promoções, como diretor de escola. A formação continuada ajuda a garantir melhores salários. O principal diferencial do sistema canadense, no entanto, está na atenção dada a professores iniciantes: além de muitas províncias exigirem que os novos professores sejam aprovados em exames que os qualificam para a docência, jovens professores passam um tempo que varia entre um ou dois anos em um programa de monitoria, onde contam com a assistência de um professor experiente.

 

Coréia do Sul

Apesar de muito diferente culturalmente do Brasil, a Coréia do Sul conseguiu se transformar de uma nação primariamente agrícola em polo tecnológico em apenas 40 anos, investindo em educação. Trata-se de uma história de superação cuja origem está no investimento em treinamento e formação de professores. Na Coréia do Sul, a formação de docentes para os primeiros anos do ensino fundamental é regulamentada, o que resulta em exames de admissão concorridos nos cursos autorizados. Além do diploma de licenciatura, os professores devem ser licenciados em uma disciplina. Há um exame nacional aplicado a todos os formandos em pedagogia que funciona como uma prova de concurso público e há treinamento pré-efetivação, pós-efetivação e formação continuada. Quem treina os novos professores são professores experientes da mesma escola. Na formação continuada, os novos professores têm a oportunidade de compartilhar com colegas de outras escolas suas experiências. Professores bem sucedidos podem ser promovidos a “professor chefe”, diretor de escola ou pesquisador. O professor chefe concilia pesquisa, mentoria e trabalho em sala de aula. O cargo de diretor de escola tem grande valorização social e é muito disputado.


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