BNCC da Educação Infantil: valorização necessária


A Educação Infantil oferece janelas de oportunidades que podem ajudar a criança em seu aprendizado por toda a vida. Investir na base desse aprendizado nunca foi mais necessário agora que ela é oficialmente parte da Educação Básica e tem sua própria BNCC.

A sociedade ainda valoriza pouco a Educação Infantil: os professores dessa etapa do ensino ficam com os menores salários, o investimento aluno-ano está entre os menores da educação básica e faltam vagas para crianças de 1 a 3 anos. A Base Nacional Comum Curricular coloca definitivamente a Educação Infantil na Educação Básica ao definir que todas as crianças brasileiras têm direitos a determinadas experiências e vivências na escola. A psicóloga e doutora em educação Beatriz Ferraz, diretora da Escola de Educadores, falou sobre a importância da Educação Infantil na Feira Bett Educar 2018, a convite da Editora do Brasil.

Um dos principais paradigmas que precisam ser quebrados para garantir que toda criança e bebê tenha acesso a experiências é compreender que eles têm necessidades emocionais, de interação, relacionamento e participação social, e não apenas necessidades fisiológicas. “A interação com o adulto é um fator chave para o aprendizado da criança. É preciso que hajam interações efetivas com o bebê”, defende Beatriz, acrescentando que mais da metade da arquitetura do cérebro se dá na fase da creche. “A creche é também a etapa da educação onde há menos atenção (do governo e da sociedade), onde os professores são menos formados e há menos dinheiro”, afirma Ferraz. Um dos pontos críticos é a alta proporção de crianças e bebês por professor, o que reduz as oportunidades de interação pessoal da criança.


BNCC: um passo importante

Tradicionalmente, compreendemos o conhecimento como disciplina. Por isso, professores têm dificuldade em se desapegar do foco em conteúdo. A proposta da organização da BNCC para Educação Infantil são os campos de experiência, ou seja, a experiência da criança está no centro do aprendizado, não o conhecimento e discurso do professor. “A Base não deixa de considerar as áreas de conhecimento, mas olha tudo pelo prisma do professor”, afirma Beatriz Ferraz. A proposta é que os professores planejem suas atividades a partir do que sabem sobre como as crianças aprendem. O papel da escola passa a ser o de ampliar as experiências das crianças e oferecer oportunidades que elas não teriam em casa, ao invés de apenas cuidar e passar o tempo. “A criança nasce achando que o mundo é uma extensão dela e vai descobrindo as coisas conforme desenvolve sua identidade”, afirma a psicóloga.

Um dos avanços que a BNCC oferece é a perspectiva transdisciplinar, além do deslocamento do foco do professor para a criança. Elas devem ser estimuladas a pensar, formular hipóteses e ter opinião. Para esse fim, a brincadeira é um instrumento muito útil, pois é a forma como se expressam, nos contam o que ela já sabe. Por isso mesmo, é indispensável que as crianças tenham acesso e uma variedade de materiais – como brinquedos e sucatas para montar – e sejam estimuladas a se expressar em diversas linguagens, não somente através da fala. “É preciso repensar o papel do professor na Educação Infantil. Uma vez que a criança está no centro, o professor deve saber que há momentos em que deve conduzir a sala e outros em que pode deixar as crianças conduzirem”, conclui Beatriz.


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