Ecossistema de aprendizagem


A escola não está mais sozinha: a ampliação do acesso digital e ambientes virtuais de aprendizagem nos ajudam a organizar comunidades educativas. São comunidades, reais e virtuais, que oferecem oportunidades de vivência e relacionamento que não precisam competir com a escola, mas sim complementar seu trabalho.

 

Não há como a escola ficar desconectada. Segundo relatório da Unicef de 2017, a juventude (quem tem entre 15 e 24 anos) é a faixa etária mais conectada do mundo. Setenta e um por cento dos jovens no mundo já estão na internet, comparando-se a 48% do resto da população. Além disso, crianças e adolescentes menores de 18 anos correspondem a 1/3 dos usuários de internet no planeta. No Brasil, 34% dos jovens entre 13 e 25 anos afirmam que acessam a internet para aprender habilidades que não aprende na escola. María del Carmen Chude, diretora pedagógica do Instituto Ciência Hoje, comentou na feira Bett Educar 2018 o relatório e o papel da escola na sociedade que vivencia o que chamamos de “quarta revolução industrial”.

 

Segundo María del Carmen, há um ecossistema de aprendizagem na sociedade com o qual a escola precisa dialogar. Esse ecossistema envolve a cidade, o entorno da escola e comunidades reais e virtuais. “A comunidade educativa precisa olhar seu propósito na comunidade, retomar seus valores reais para somente depois mergulhar nas competências da Base Nacional Comum Curricular”, disse Del Carmen. Ou seja, o educador precisa de uma visão de mundo para melhor definir sua visão sobre a educação. De acordo com a educadora, devemos olhar para o que a escola seleciona para os alunos aprenderem e para as ausências e presenças nesses currículos. “As ausências também nos dão pistas sobre a visão de mundo dos educadores”, disse María del Carmen.

 

Acesso beneficia principalmente crianças e adolescentes pobres

 

Conforme o relatório da Unicef – 2017, apesar de milhões de crianças em comunidades e países pobres não terem acesso à internet, ou terem uma conexão lenta e de baixa qualidade, crianças e adolescentes nessas comunidades são os que mais sofrem, pois são privados de oportunidade para desenvolver habilidades e competências críticas para o mercado de trabalho quando não acessam a rede. Afinal, hoje crianças e adolescentes aprendem umas com as outras na internet e por meio de jogos: a escola é só mais um local de aprendizagem. Em países de baixa renda, aprender a usar a internet com amigos e irmãos foi a forma de iniciação digital mais relatada entre crianças. A internet, no entanto, traz uma série de riscos para crianças, como aponta a Unicef. Além dos riscos óbvios, como conteúdo sexual indesejado, há os riscos de que as crianças se “viciem” nas telas. Por fim, políticas a respeito de governança e proteção digital variam entre países.

 

A tecnologia, com todas as oportunidades que traz, não tem o poder de consertar o que vai mal na educação ou na sociedade, segundo a Unicef. A internet oferece, por exemplo, oportunidades inéditas para que jovens de diferentes países e culturas se conectem e descubram o que têm em comum. Em países onde mulheres e meninas enfrentam dificuldades para ir à escola em razão de restrições sociais, ambientes digitais de aprendizagem mostram-se promissores. A tecnologia, ao mesmo tempo que traz novas soluções, cria novos desafios.


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